“Sofia se perdeu por entre arbustos de espinhos. Pareciam perfurar-lhe as angústias, queria apenas se sentir bem, mas a dor lhe impedia.
O vento ecoava no gigantesco bosque, onde ela se encontrava jogada ao solo úmido pelo sereno.
Intrigada pelo luar, noite escura e fria, estrelada. Seu corpo preso por tão afiados espinhos.
Sofia sangrava. Parecia acorrentada.
A pressão contínua a mantinha de olhos abertos. Tentou apenas apreciar o momento.
A ocasião lhe fascinava. Sorriu.
Fechou os olhos, a inocente Sofia.
Rendeu-se.”
“Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e á vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!”
“
Eu vejo flores ao seu redor.
Mas não são flores coloridas
E com vida saudável.
São flores de enterro,
Com cheiro de morte
E um mísero desprezo.
Vejo o fim,
A derrota,
O não,
A partida.
Desperto em mim um desejo.
Tua boca roxa e pele pálida
Me convidam a uma noite
De prazeres ilógicos,
Surreais, anormais.
Insisto, persisto
E cá estou eu,
Debruçada sobre teu corpo
Gélido e sem vida.
Mas eu tenho amor,
Sinto o cheiro de morte
E não me vou embora.
”